quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


Descanso: você está fazendo isso muito errado...

Fim de ano...

Geralmente, esta é uma época de férias para muitos ou, pelo menos, é o conceito generalizado encontrado por aí. Nesses dias, uma das expressões mais comuns encontradas é "estou cansado"... e realmente a maioria procura viajar ou ir para lugares distantes de sua rotina diária. Há, no entanto, um porém...

Dentre tantos assuntos comuns nesta época, quero destacar um em especial: o cansaço. O termo férias invariavelmente está conectado aocansaço experimentado por muitos (ou todos nós...). Entretanto, se nos detivermos um pouco mais sobre o tema, iremos verificar que o remédio para o cansaço nem sempre é as férias. Afinal de contas, no que se pensa quando se está afadigado? Férias! Tem-se o conceito de que, para descansar de algo, basta parar de fazer aquilo que me cansa...certo? Nem sempre.

Quantos voltam do período de férias e, dias depois, estão esgotados? Sem força mental para continuar em frente? Por que isso acontece? Quem disse que o cansaço tem relação com aquilo que fazemos?

Alguns declaram que estão cansados por trabalhar demais...outros por não trabalharem! Então...fazer cansa? Sim! E não fazer? Cansa também...

Interessante.

Alguns exclamam: "estou cansado de ficar sozinho!", ao passo que outros dizem estar cansados da esposa ou do marido...então, estar só cansa, e estar casado também? Me responda uma coisa:como é que alguém que está cansado de estar só descansa? Colocando alguém do seu lado? E quem está cansado de ter alguém do seu lado? Mandando o outro embora? Não é interessante?

Uns reclamam do cônjuge por ele estar sempre ocupado e apressado...outros pelos respectivos não fazerem nada, não terem iniciativa...e aí, estar ocupado cansa? E ter tempo livre cansa também?

E aqueles que reclamam estarem cansados da vida? "rapaz, estou cansado da vida que eu vivo..."mas ao mesmo tempo tem medo de morrer. Como é que alguém que está cansado da vida descansa? Tirando sua própria vida ?

Alguns buscam mudar o visual. Cansaram do que veem no espelho. Tingem o cabelo, cortam, alisam, encrespam...e depois de algum tempo, continuam cansados. Eram cansados feios...tornaram-se cansados bonitos!

Outros buscam um novo emprego. Pedem as contas, e de cansados empregados tornam-se cansados desempregados...

Quantos já ouviram esta pergunta - e aí, descansou? - depois de um período de férias?

Cansaço, cansaço, cansaço...

Ufa! Só de escrever cansaço já deu uma "canseira"...

Depois de tanta "canseira", onde podemos realmente achar descanso para nossas almas?

Antes de tratar do que fazer, vamos ver um exemplo do que não fazer. Veremos exatamente o caminha trilhado pela grande maioria, e ficará óbvio o fracasso em buscar descanso nos lugares errados. Acompanhe comigo:

Salomão em seu trono
Salomão, que reinou em lugar de seu pai Davi, disserta, entre outras coisas, sobre sua busca por descanso no livro de Eclesiastes (escrito no período final de sua vida). É muito interessante observar a abordagem que ele dá ao tema, pois parte do ponto de vista de si mesmo e dos resultados das experiências que teve. O primeiro capítulo, no versículo dois, já traz uma introdução bem animadora do assunto:

Coisas inúteis e mais inúteis!, - diz o Pregador - Coisas inúteis e mais inúteis! Tudo é inútil!

Trocar de emprego é inútil...trabalhar demais é inútil...ir para o salão de beleza, trocar o carro, ficar sem fazer nada....é inútil! Trocar de esposa ou marido? Aí é pecado mesmo!

Dentro do contexto trazido pelo autor, sigamos a leitura até o versículo nove:

"Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho que ele trabalha abaixo do sol?  Geração vai, e geração vem; porém a terra permanece para sempre.  O sol nasce, e o sol se põe; e se apressa ao seu lugar onde nasceu.  O vento vai ao sul, e rodeia para o norte; continuamente o vento vai rodeando e voltando aos lugares onde circulou.  Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar onde os ribeiros correm, para ali eles voltam a correr.  Todas estas coisas são tão cansativas, que ninguém consegue descrever; os olhos não ficam satisfeitos de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.  O que foi, isso será; e o que se fez, isso será feito; de modo que nada há de novo abaixo do sol". Ec 1.3-9

É...não creio que Salomão pudesse ganhar a vida com palestras motivacionais! Ele trata aqui do cotidiano, da rotina diária. De quando acordamos todos os dias no mesmo horário, fazemos as mesmas coisas, ouvimos as mesmas desculpas esfarrapadas de sempre, as mentiras, a futilidade, o trânsito...semana após semana, mês após mês, ano após ano...

Como você acha que ele se sentia? Exatamente como nós: cansado...

Ele vai então trilhar o caminho que muitos fazem: colocar a mochila nas costas e vazar! Fui! Será esta a resposta?

"Disse a mim mesmo: experimentarei o prazer e verificarei o que é alegria." Ec 2.1a

Ele disse isso a si mesmo provavelmente por estar se sentido só. Em outras palavras, está dizendo: "quer saber? Vou sair mesmo, vou prá (sic) balada..." . Em nossos dias, Salomão iria se tornar um frequentador de boates, bailões e afins...

O resultado?

" ...eis, porém, que também aí só encontrei futilidade. Em relação ao riso, concluí: é loucura! - e em relação à alegria me perguntei: a que conduz?

O que ele encontrou? Mais inutilidade...depois das luzes desligadas, do silêncio...sobrou a ressaca e o cansaço."é bobagem" - ele diz - "risos fúteis de nada servem"...

E ele continua:

"Procurei deliciar meu coração com o vinho, mantendo ao mesmo tempo a sabedoria e insensatez, a fim de descobrir o que, para os filhos dos homens, é melhor para se praticar debaixo do sol, durante o tempo de suas vidas". Ec 2.3

Em termo bem popular, Salomão "encheu a cara"! Todo bêbado parece alegre....mas a ressaca veio, a dor de cabeça e a realidade continuavam ali. E o que ele busca então?

"Fiz para mim obras grandiosas; construí casas para mim; plantei vinhas para mim. Fiz para mim pomares e jardins; e plantei neles árvores de toda espécie de frutos. Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que se plantavam as árvores. Adquiri escravos e escravas, e tive escravos nascidos em casa; também tive grande rebanho de vacas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém". Ec 2.4-7

Bom, agora Salomão torna-se um workaholic. Trabalhar, trabalhar e trabalhar...se o tal "deixa a vida me levar" não adiantou, quem sabe empreender grandes realizações? Obras faraônicas? Acumular riquezas? E ele acumula, acumula (...acumulei também prata e ouro, e províncias...), mas....NADA! O seu interior continuava o mesmo! E agora? Bom, que tal trocar o cd?

 "...reservei para mim cantores e cantoras..." (verso 8b) 

Hum....mudar a trilha sonora...ouvir outras coisas. Vistar museus, exposições de arte, ir ao cinema? E quem sabe...

"...e dos prazeres dos filhos dos homens: várias mulheres". (verso 8c)

Concubinas em grande número. Mulheres, orgias. Se isso resolvesse, ele estaria mais que feliz! Ele teve 1000 mulheres...mas quer saber? Nada novamente! 

Percebeu? Os métodos "modernos" de saciar a alma - noitadas, bebida, trabalho em demasia, prostituição - não podem e nunca poderão trazer o descanso que precisamos. Porque este descanso que tratamos aqui não é físico e nem psicológico...é da alma!

Sabendo disso, Jesus nos ensina que:

"Vinde a mim todos os que estais cansados, e carregados, e eu vos farei descansar. Tomai sobre vós meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossas almas". Mt 11.28,29


Algumas lições importante aprendemos aqui:

1 - o cansaço é uma realidade para todos nós: independente de origem, profissão ou classe social. Desde que o pecado entrou nesta terra, "...do suor do teu rosto comerás o pão..." (Gn 3.19). Sendo o cansaço uma realidade, temos então a segunda lição:

2 - ir a Jesus e tomar seu jugo: Há, no grego, um imperativo aqui (Ελθετε venha! ) que nos mostra a força deste convite. Não é algo despretensioso, mas quase que uma ordem para seus ouvintes: Venham! Jesus usa o exemplo pastoril de dois bois ligados entre si por uma canga, ou jugo. Isso facilitava o trabalho dos animais, pois era mais fácil suportar o trabalho e cansava menos. Temos, em Jesus, uma provisão de força onde podemos vencer os ventos contrários que procuram nos impedir de seguir em frente.

3 - aprender de Jesus: aprender aqui (μαθετε) traz aceitar o próprio Cristo, rejeitando a existência antiga e começando uma nova vida como discípulo dEle. Não se trata aqui de um aprendizado intelectual. É trazer para o âmago do homem a humildade e mansidão, contrários à natureza egoísta e pecaminosa do velho homem. É tornar-se um discípulo de Jesus em Sua essência...

4 - aprender a descansar nEle: Mateus usa aqui uma palavra grega (αναπαυσει) que tem o conceito de pausa. Jesus, então, nos chama para um momento de descanso em meio às atividades. Lembra de Marta e Maria? O problema de Marta não era trabalhar, mas trabalhar no hora errada! Existem momentos de pausa, onde devemos deixar nosso cotidiano de lado para focar em outra coisa - aqui, no ensino do Salvador. Qual a última vez que você realmente conseguiu para tudo o que estava fazendo e descansar? Quando foi a última vez que você passou algum tempo na presença de Deus, desfrutando de Sua companhia?

Deus está dizendo: quer vencer o cansaço? Descubra o foco dele!". E onde ele se aloja? Na alma (psiquê). Por isso ações e fatores externos não conseguem trazer o descanso. Se o cansaço é dentro, não há mulher, carro, posses ou dinheiro que resolva! Jesus sabia que o ser humano tende ao cansaço, e mais ainda, busca suprir de descanso a alma onde não há provisão para tal.

E por último: lembre-se da conjunção aditiva "e" na sentença de Jesus:

"Tomai sobre vós o meu jugo, E aprendei de mim...E achareis descanso para vossas almas"


Em Cristo,

Daniel*

Daniel Ben Yossef - blog Diário de Treinamento

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dialogue - 17 de novembro - 19:30 horas - Esperamos você!


Dia 17 de novembro estaremos reunidos para mais um Dialogue. Erike Couto Lourenço continuará falando sobre "As verdades do livro de João".

O Dialogue vai começar às 19:30 horas e você pode confirmar sua presença pelo e-mail cursos@institutoabba.com ou deixando um comentário neste post.

Lembrando que o Dialogue é uma palestra seguida de um bate papo sobre o assunto, sendo que encerramos sempre com uma confraternização (um momento de comunhão sempre muito gostoso)

O Dialogue acontece no Instituto Abba - Rua Formiga, 467 - Bairro São Cristovão - próximo à Igreja Batista da Lagoinha.

Esperamos você!

domingo, 23 de outubro de 2011

Graça (Beth Alves Pinto)


Graça



Elizabeth Alves Pinto

Introdução

Vamos começar com uma ilustração:

“Uma prostituta veio falar comigo em terríveis dificuldades. Doente, sem lar, incapaz de comprar comida para si e para sua filha de dois anos, ela alugava a filha e por uma hora ganhava o que ela mesma ganhava numa noite inteira. Disse que tinha de fazê-lo para sustentar o vício das drogas.
Eu mal aguentava ouvir aquela sórdida história. Eu me sentia mal, legalmente responsável – tinha que denunciar este caso de abuso contra a criança. Mas naquele momento, eu não tinha idéia do que dizer àquela mulher. Tinha vontade de vomitar.
Finalmente, perguntei a ela se nunca tinha pensado em ir a uma igreja para pedir ajuda. Nunca me esqueci do olhar assustado que vi em seu rosto. “Igreja”! Ela exclamou. “Por que eu iria a uma igreja? Eu já me sinto terrível o suficiente. Eles vão fazer que eu me sinta ainda pior”

(Extraído do livro Maravilhosa Graça de Philip Yancey)

O que aprendemos com esse texto é que por pior que uma pessoa se sinta a respeito de si mesma, ela sempre procura por Deus como um refúgio.

Será que a igreja perdeu este dom?
O que aconteceu?

A resposta para estas perguntas está numa palavra chave. Tudo se desenrola a partir de uma palavra.

Com o passar do tempo, notamos que as palavras perdem o seu valor ou tem o seu valor transformado. Elas têm uma tendência a “se estragarem” com o tempo. Como carne deteriorada.

Os tradutores da versão King James usaram a palavra “caridade” para contemplar a mais elevada forma de amor. Atualmente, ouvimos o seguinte protesto de desdém: “Não quero a sua caridade”.

A palavra graça é uma grande palavra teológica que ainda não foi “estragada”. Procurando em todos os seus usos ainda conseguimos ver um pouco da glória original. Ela sustenta uma civilização orgulhosa, lembrando que as coisas boas não vêm de nossos próprios esforços e sim pela graça de Deus.

Vamos ver como usamos esta palavra: damos “graças” a Deus antes das refeições reconhecendo o sustento como presente de Deus; somos “gratos” pela bondade de alguém; sentimo-nos “gratificados” com boas notícias; “congratulados” quando temos sucesso; “graciosos” hospedando amigos. Quando uma pessoa nos serve bem, deixamos uma “gratificação”.

Os súditos britânicos chegam a chamar a realeza de “Sua Graça”. As editoras de revistas têm o hábito de “agraciar” assinantes com alguns exemplares a mais mesmo depois que a assinatura expirar. São “exemplares de graça”, enviados para me incentivar a continuar assinando a publicação.

São vários os usos da palavra. A “graça” é realmente surpreendente. Ela contém uma essência do evangelho como uma gota de água pode conter a imagem do sol. O mundo tem sede de graça em situações que nem reconhece. Para uma sociedade que parece estar à deriva, não há melhor lugar para lançar uma âncora de fé.

As grandes revoluções cristãs não vêm por causa de uma coisa que não era conhecida antes. Elas acontecem porque alguém aceita radicalmente uma coisa que sempre esteve aí. Estranhamente, descobrimos uma falta de graça dentro da “igreja”, uma “instituição” fundada para proclamar o “evangelho da graça de Deus”.

Um veterinário fica sabendo uma porção de coisas a respeito do dono de um cão – que ele não conhece – apenas olhando o animal. O que o mundo fica sabendo de Deus ao observar a igreja, os seguidores de Deus aqui na terra?

Quando buscamos as raízes da palavra graça no texto grego, descobrimos um verbo que significa “eu me regozijo, estou feliz”. A alegria e o regozijo não são as primeiras imagens que vêm à mente das pessoas quando pensam na “igreja”. Elas pensam em “santarrões”. Pensam na “igreja” com lugar para ir depois que tiverem endireitado as coisas, não antes. Pensam em moralidade, não em graça. Lembrem-se “Igreja!”, disse a prostituta, “por que eu iria lá? Eu já me sinto terrível! Eles vão me fazer sentir-me pior”.

Esta atitude vem parcialmente de um conceito deturpado, ou preconceito, dos de fora. Quando visitamos abrigos, asilos, hospícios e vários ministérios dirigidos por crentes cheios da graça podemos ver as bênçãos do Senhor em todos estes lugares. Mesmo assim, encontramos este ponto fraco na “igreja”, a falta de graça.

A graça está por toda parte, mas com que facilidade nós a ignoramos...

O testemunho de uma garota de 18 anos que saiu de casa para dançar a noite toda num baile de carnaval nos dá esperança. Vestida com uma micro saia e com uma blusa que mais parecia um soutiem ela foi convidada pelo seu acompanhante: “escuta, eu preciso dar uma passadinha na igreja da minha mãe. Eu prometi pra ela dar um alô antes de ir ao baile”. A garota nunca tinha adentrado numa igreja evangélica, mas como o rapaz disse que só levaria uns minutinhos, ela cedeu. Era uma vigília e a mãe do rapaz pediu que ficassem alguns minutos, fazendo companhia a ela. Os dois consentiram. Saíram daquela igreja ás 6 horas da manhã do outro dia! Sabe do que aquela garota lembra hoje, quase 30 anos depois? Que todos, sem exceção, olharam para ela como se estivesse vestida dos pés à cabeça. “Nunca fui tão bem tratada em toda a minha vida!”


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domingo, 16 de outubro de 2011

As verdades dos quatro primeiros capítulos de João - Tema do nosso próximo Dialogue - 20/10

Dia 20 de outubro estaremos reunidos para mais um Dialogue. Erike ministrou em agosto sobre "O prólogo do livro de João". Continuando o assunto, ele estará conosco agora em outubro, no dia 20, falando sobre "As verdades dos quatro primeiros capítulos de João".

O Dialogue vai começar às 19:30 horas e você pode confirmar sua presença pelo e-mail cursos@institutoabba.com ou deixando um comentário neste post.

Lembrando que o Dialogue é uma palestra seguida de um bate papo sobre o assunto, sendo que encerramos sempre com uma confraternização (um momento de comunhão sempre muito gostoso)

O Dialogue acontece no Instituto Abba - Rua Formiga, 467 - Bairro São Cristovão - próximo à Igreja Batista da Lagoinha.

Esperamos você!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Beit - por Erike Couto Lourenço


Continuando nossos posts sobre as letras hebraicas, a próxima letra que iremos nos aprofundar é o Beit. Quero seguir a ordem alfabética pois acho mais interessantes para comentários posteriores que irei fazer.

A letra Beit (ב) no hebraico é a segunda letra na ordem alfabética, e tem o valor de “2”, quando usada como numeral. Ela tem essa forma, chamada de “quadrática”, por causa da influência das letras feitaspor cuneiformes na Babilônia, na época do Exílio do povo judeu por aquelas bandasdos rios Tigre e Eufrates. Sua forma pré-exílica original, no proto-semítico e no fenício (cujo alfabeto foi tomado pelos hebreus posteriormente), eraconforme mostrado na fig. 1. b. Esta forma é a achada nas inscrições encontradas em Serabit El-Khedim, que indicam a evolução do Beit proto-semítico apartir deste hieróglifo egípcio. Essa origem pode ter sido o hieróglifo cujo desenho era de um recinto (fig. 1a, na palavra egípcia para "templo", hwt, e na fig. 1.c, na palavra para horizonteakhet).

Ela se encontra em muitas outras línguas semíticas, como no árabe (cujo nome é Ba - ب). Seu nome deriva da palavra Beit (בית) que significa “casa” (ביתbayt em hebraico bíblico). Daí a Betel bíblica (בית-אלbeit-el,“casa de Deus”) de Gn 12:18, onde Abraão fez sua tenda (אהל‘ohel) e edificou um altar ao Senhor. Ali também Jacó teve um sonho que, segundo o relato de Gn 28:16-17, tomou para si como sendo uma teofania e, dali em diante, reconhecera o local como casa de Deus (Gn 28:19).

Agora pergunto: o que a casa é para nós, humanos? Todos os animais tem uma “casa” – o passarinho seu ninho; o urso, sua caverna (Zé Coméia pelo menos tem a dele!); o leão, uma sombra projetada por alguma árvore na Savana para seu aconchego (acho que essa é a casa dele rsrs); as formigas, o bem estruturado formigueiro e assim por diante. Mas nós, seres feito à Imagem do Criador, além de vermos na casa um aconchego, refúgio contra o que está fora, vemos nela um lugar de interioridadeintimidade e também ondeconstruímos algo para a posteridade. Hoje, em um mundo que é ao mesmo tempo tão cheio de “culturas humanas” (mesmo que existissem antes, foram estudadas melhor na Modernidade, como as do Extremo Oriente) e os progressos tecnológicos, mas ao mesmo tempo tão breve e vazio, temos a necessidade mais do que nunca de termos um local onde nos sentimos humanos, de onde podemos construir algo que permaneça para gerações, como um família estruturada e uma herança (também financeira, mas principalmente de vida e dignidade!) para nossa posteridade.

A casa no deserto: tenda de um nômade

Vejamos o que a letra Beit nos mostra sobre todos estes valores: quando ela vem anexada no início de alguma palavra, significa “em” e, às vezes, “com”, como em Gn 2:15 “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim (בגןbe-gan, no-jardim) do Éden para o lavrar e o guardar”. O que está “em” está no “interior”. Nossa casa é “dentro”, e não “fora”! Existe, claro, muita gente que é mais amiga que nossos familiares (PV 18:24), mas ainda não há coisa mais preciosa para alguém que ter uma família, em sua casa, em seu interior, em que se possa confiar e compartilhar de sua vida, quer sucessos, quer insucessos não é mesmo?

Não só isso, mas quando fazemos o paralelo entre esta letra e algumas raízes hebraicas que derivaram dela, vemos o quanto o pensamento semita antigo, principalmente o dos hebreus, é interessante, e ainda nos ensina algo para nossa vida, valores que mesmo sendo simples, tem uma importância extrema para nós, (pós?)-modernos.

A palavra Bait (בית) veio da raiz “בנה” (banah -“construir, edificar”). Mas onde está o “Nun” (נ) de בית,Beit? E podemos saber com toda a certeza esta relação entre Bait banah? Sabemos a relação entre bait e a raíz banah na verdade por analogia com outras palavras parecidas com bait que contém raízes relacionadas a elas cujo Nun caira com a evolução natural da língua. Por exemplo, a palavra para “bolsa” (hebraico bíblico) ou “bolso” (hebraico moderno) – כיס(kis), vem da raiz כנס – kanás – “entrar, ajuntar”.Quando ocorre isso em algumas palavras com mais de uma silaba, sabe-se que havia uma letra que “caiu” através do Dagesh Forte (sinal que indica consoante duplicada) que é posto no meio da letra seguinte a letra caida, indicando que a letra for a reduplicada para “tomar o lugar” da letra que caira. Isso ocorreu comחָזִּיר (chazir – “porco”), cuja forma original provavelmente fora חנזיר – chanzir (conferir o árabe خِنْزِير– chinzir, onde o antigo Nun foi preservado). Mas, por alguma razão até agora por mim desconhecida, oDagesh Forte não aparece na escrita massorética do texto bíblico na palavra para Bait. Por isso precisamos fazer estas analogias dela com outras palavras para chegarmos a conclusão proposta no início deste parágrafo.

Uma casa para a moradia é a construção humana por excelência, além de ser a primeira de todas as construções (ou aluguéis) que um homem faz na vida! Como estamos lidando com o pensamento de um povo antigo, semítico, expresso pela língua que falavam, precisamos saber também que alguns costumes eram quase obrigatórios à vida de um homem maduro. Um deles, após ter (en)casado, era o de ter filhos (Gn 1:22). Por isso as palavras para filho (בןben) filha(בתbat) em hebraico são derivadas da raiz banah e da palavra bait. É evidente a derivação na palavra ben,mas na palavra para filha precisamos conferir o árabe, onde a palavra para “menina, filha” é بنت (bint), onde o Nun de banah ainda se preserva. Daí, compreendemos que os filhos eram o objetivo final para aquele que construía um lar, uma casa, no pensamento hebraico, pois eram eles que levariam seus bens, materiais, de costumes e – principalmente – espirituais, para as gerações futuras. Este quadro é encravadohieroglificamente na própria palavra para filho, ben,formado pelas letras Beit (“casa”) e Nun (raiz relacionada às idéias de “semente”, “broto” e “prolongar”, “vir posteriormente nas gerações” – aramaico נונאnuna, “peixe” – por causa de sua proliferação – e Sl 72:17 ”O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos – יניןyanin - enquanto o sol durar…”): “os bens perpetuados nas gerações futuras”, que é justamente a função do filho na família hebréia antiga.

Para finalizar este (gigante?) post, existem outras duas palavras que queria mostrar aqui, relacionando-as com o que foi dito acima: בין (bein – “entre”, “espaço vazio entre dois ou mais objetos/pessoas”) e בינה(binah – “entendimento, compreenssão”). Elas provavelmente vêm também da raiz banah, pois para você construir algo, precisa ter compreensão e discernimento daquilo que faz, principalmente se for uma casa para sua própria família. “Entre” contém o elemento de “interioridade”, “espaço” entre as coisas, daí a derivação de banah bait.

Veja o quanto aprendemos quando “ouvimos” aquilo que o pensamento bíblico-semítico nos tem a dizer, fazendo-nos atentar para conceitos que os modernos tempos querem ofuscar com uma luz energizada pela Razão humana, mas não pelo Pai das Luzes (Tg 1:17), que é a verdadeira fonte de entendimento e sabedoria para nossas vidas e comportamentos.

domingo, 4 de setembro de 2011

Dialogue 22 de Setembro - Aconselhando Redentivamente

Estaremos falando sobre o tema "Aconselhando Redentivamente" no próximo Dialogue, no dia 22 de setembro às 19:30 horas.

Beth Alves Pinto participou do Congresso Psicologia e Cristianismo da Universidade Mackenzie e vai dividir conosco suas percepções sobre o tema ministrado no Congresso.

Teremos também a apresentação de alguns vídeos de curta duração.


Após a palestra, como sempre, abriremos para um bate papo e um lanche encerrando o encontro.

Confirme sua presença pelo fone 31 9214-3745 ou pelo e-mail cursos@institutoabba.com





domingo, 21 de agosto de 2011

Para os alunos de Hebraico - Um pouco sobre a letra Aléf


Faz algum tempo, o professor de Hebraico Erike C. Lourenço começou a escrever uma série com o significado das letras hebraicas. Nesta oportunidade publicamos um de seus posts sobre a letra Aléf. Esperamos que gostem. No final segue o link para o blog do Erike.

Alef - Parte I

Estive pensando sobre a letra Aléf, sobre seu significado profundo e interessante. Antes, porém, pesquisei mais um pouco, e descobri coisas que estavam além do que eu poderia imaginar... Aí, decidi escrever algo aqui sobre ela. Na verdade, estou pensando em falar sobre todas as letras do alfabeto hebraico, pois cada letra tem seu próprio significado.
Primeiro, ela é a primeira das letras hebraicas. Seu nome deriva de um termo hebraico, élef, que significa "boi treinado". No hebraico bíblico mais "comum" e no moderno, esta mesma palavra significa "mil", "milhares". Mas, num significado bíblico preservado somente em alguns versículos, significa justamente isso: boi treinado (domesticado pelo homem e treinado para auxiliá-lo em seu labor no campo).

Podemos ver este significado em Dt 7:13: "E amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te" (ACF). Infelizmente, o grifo acima é a tradução da expressão שגר אלפיך - sh'gar 'alafeicha - que realmente significa "os filhotes dos teus bois", como o Targum Pseudo-Ionatan traduz (בקרת תוריכון - bakarat toreichon - "o gado de seus bois").

Mas voltando a letra Álef...
Sua forma primitiva se parecia com uma cabeça de boi. A partir dela, a letra evoluiu para o nosso A uncial romano. Não se sabe o porquê dos semitas terem tomado simbolos, como a cabeça de um boi, para representar sons como do Álef (pois é! o Álef tinha som no passado... era uma pausa na fala feito pela glote, que hoje se perdeu), seu significado como formador de morfemas nas palavras e, enfim, gerador de palavras (pois a palavra Álef tem um verbo associado a ela, אילף - 'ilef - que significa "ensinar, instruir" - origem compreensível - e, como dito, o número "mil" - אלף - élef - significado incompreensível).

A origem destas letras também é um mistério. Alguns dizem que são de origem própria, isto é, os semitas que criaram a partir de suas próprias vivências. Outros dizem que é de origem egípcia (dentre outros motivos, está a descoberta de inscrições em proto-semítico, numa pequena esfinge, nos arredores do Mt. Sinai (Serabit El-Khadim) datadas de cerca 1500 a.C., possuindo fortes alusões egípcias. Outros alegam ainda uma origem mesopotâmica, apartir do sumério antigo ou acadiano, ou algo assim. Sustento a opinião de que estas letras são criação dos próprios semitas, possivelmente influenciados pelo caráter (já) milenar destas línguas citadas (egípcio, acadiano e sumério) de possuir símbolos derivados de objetos da realidade do dia-a-dia de seus falantes, que formavam palavras que significavam inicialmente aqueles objetos e que, por analogia mais posteriormente, acabaram também significando palavras mais abstratas ou verbos que tivessem relação com este signo inicial (como o desenho de uma boca para significar "boca", ou casa para significar "casa" em egípcio, e que, posteriormente, estavam incluidos também em verbos como "falar" e "habitar", por exemplo).

Não creio que os semitas, ou os hebreus, tivessem tomado os símbolos monoliterais ou biliterais egípcios para transformá-los em suas letras semitas, pois não há semelhança alguma entre aquelas equiparando-se a estas. Por exemplo, o signo de um falcão egípcio, que é o mais próximo do Álef semita, não se parece de forma alguma com a cabeça de boi da qual o Álef se derivou, em seus primórdios. E, como isso ocorre com outras letras semíticas e seus correspondentes egípcios, discordo desta derivação direta vinda do país do Nilo, como alguns alegam. Mas concordo que possa ter havido influências, ao menos...

Voltando ao Álef hebraico...
Além daqueles significados ditos acima, há ainda um terceiro: chefe, príncipe. Uma palavra idêntica ao nome Álef mas de pronúncia ligeiramente diferente nos mostra isso - אלף - aluf. Ela se encontra em vários lugares da Bíblia Hebraica, como em Genesis 36:15: "Estes são os príncipes (אלופי - alufei) dos filhos de Esaú: os filhos de Elifaz, o primogênito de Esaú, o príncipe Temã, o príncipe Omar, o príncipe Zefô, o príncipe Quenaz".
Por que estou levando vocês por todo este caminho até aqui, passando por todos estes significados? Para mostrar que podemos compreender o hebraico, ainda hoje, como aquela espécie de "língua hieroglífica" do passado proto-semítico, onde signos representando algo da realidade se aglomeravam para formar os nomes destes objetos, ou de seres e conceitos diversos, relacionados à própria letra e ao nome dela.
Exemplo prático? vamos lá então. Álef significa "boi"... um animal forte (talvez o mais forte dentre os domésticos)... "chefe" (guia, amigo - Pv 16:28) e algo relacionado à "instrução" (ensino, treinamento). Acabei de mostrar o significado exato da palavra "Álef".
Vejamos... Álef se escreve exatamente como as palavras dos significados que vimos acima, אלף . Esta palavra é formada por 3 letras hebraicas: א - Álef, ל - Lámed e פ - Pêh. Aléf significa apriori "chefe", "forte". Lámed significa "cajado", "direção", "guia". Pêh significa "boca, fala, ensino" (veremos mais a fundo estas letras no devido tempo). Juntando... "o chefe (ou algo ou alguém forte) que guia na direção, ensinando". Por isso uma de suas traduções é "amigo". Mas... forte este significado não acha? Parece uma descrição aplicada ao próprio Deus...
Pois é... não é em vão que a palavra para deus ou Deus em hebraico seja אל -êl, só faltando o Pêh final. Este significado de "deus" vem de outro significado desta palavra, "forte" (que é usada em Sl 29:1). O Álef do hebraico atual tem a forma que deriva de uma evolução das letras hebraicas apartir do aramaico, idioma falado na Babilônia, na época do exílio do povo judeu para lá, no séc. VI a.C. Estas formas do hebraico são denominadas "assírias" (por causa da relação Assíria-Babilônia na época) ou "quadráticas", por causa da forma das letras, como se estivessem "encaixotadas". Mas, não é por ter uma forma mais "posterior" que o Álef parou de ser interpretado pelos judeus.

No Talmud está escrito que o Álef seria formado, na verdade, por dois "Yod"s (um por cima e outro por baixo) e uma letra "Vav" no meio, na diagonal, unindo estes "Yod"s. Ele continua afirmando que o Yod de cima representa Deus (o Tetragrama começa com esta letra). O Yod de baixo, Israel (que também se inicia com esta pequena letra, no hebraico). E o Vav, que representaria a Torá, se encontra no meio destes dois (Deus e Israel), une-os. Interessante notar que interpretações de tradições mais místicas do judaísmo (Zohar 73a) afirmam que "estes três níveis estão unidos um ao outro: o Santo, Israel e a Torá". Interpreta-se que este dito seja uma referência ao Álef. Isso porque, no original, foram usadas as palavras קודשא -kodsha, para "o Santo"; ישראל - Israel, para "Israel"; e אורייתא - oráiyta- para "Torá". Estas três palavras se iniciam com ק (Qof), י (Yod) e א (Aléf), que, somando seus valores númericos (em um processo que denomina-se Guematria), resulta no valor 111, que é exatamente o valor de cada letra que forma a palavra “Álef” (אל"פ ). Seria uma alusão ao dito talmúdico visto acima? Provavelmente sim...

O melhor disso tudo é que sabemos que Jesus disse que Ele é o “Alfa e o Ômega” (Ap 22:13). O “Alfa” grego, aqui, nos remete ao Álef  hebraico, correto? Partindo deste pressuposto, podemos relacionar o que se interpretou no meio judaico sobre o Álef com o próprio Messias. Paulo diz que Ele é o Mediador entre Deus e os homens (I Tm 2:5). Ele seria o “Álef” por excelência, já que Ele, Filho de Deus, o Logos que esteve no sei de Deus, o Pai (o “Yod” de cima, na letra Álef), desceu à Terra, para habitar entre nós, homens (o “Yod” de baixo, na letra Álef), encarnando, tomando a forma de homem como nós, de servo, cumprindo sua missão aqui até o fim, para ser constituído por Deus como o Mediador (o Vav mediano do Álef) de uma Nova Aliança com Israel e, por conseguinte, com o mundo, sendo Ele mesmo a Paz entre nós e Deus (Fp 2:5-6). Sabemos que, apesar dessa língua ser uma língua totalmente humana (o próprio Talmud babilônico afirma isso, quando diz que “a Torá foi dada na língua dos homens” – Berachot 31b), não é por isso que ela deixou de conter elementos da revelação de Deus ao Seu povo Israel e à humanidade. Deus se utiliza de nossa própria humanidade, nossas fraquezas e sucessos, para mostrar o quanto precisamos Dele e de Seu poder atuando em nós (II Co 12:9).

Espero que tenham gostado deste post... acrescentei no título um “I” para indicar que ainda não acabou... mesmo que eu venha comentar de outras letras, voltarei quando convir acrescentando algo a mais sobre o Álef... sendo assim também com outras letras...