sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Jerusalém por Rafaela Almeida


“Grande é o Senhor e mui digno de louvor,
Na cidade do nosso Deus, no seu monte santo.
Formoso de sítio, e alegria de toda a terra
é o monte de Sião sobre os lados do norte,
a cidade do grande Rei”
Salmos48 1-2



           Jerusalém é uma antiga cidade do Oriente Médio, geograficamente bem pequena, localizada nas montanhas da Judéia, entre o mar Mediterrâneo e o norte do Mar Morto, podendo ser observado aos arredores o crescimento da Jerusalém moderna. Declarada como capital de Israel, apesar de não ser reconhecida pela comunidade internacional, é a maior cidade de Israel com uma população aproximada de 740.000 mil habitantes. Ocupa um papel importante no cenário mundial, sendo de grande importância para religiões como o judaísmo, o cristianismo e o islã, as três religiões abraâmicas, considerada por estes como uma cidade santa. Não existe outro lugar de maior importância mundial como ela, é o local mais conflituoso do mundo, disputada por árabes, judeus e cristãos, ameaçando a paz mundial.
Muitos afirmam que a primeira referência à cidade de Jerusalém está em Gn14.18. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo”. Salém era a cidade de Melquisedeque, o Rei da Justiça, na qual Abraão honrou-o com uma oferta, e aceitou a sua benção (Hb 7.1,2). Muitos a consideram com a Jerusalém primitiva. Quando o povo hebreu cruzou o Jordão para entrar na terra prometida, a cidade chamava-se “Jebus” (1Cr.11.4; Js 15.8), a principal cidade dos Jebuseus, um dos povos canaanitas. Ela não foi conquistada por Josué durante a conquista de Canaã e permaneceu em mãos dos cananeus até o tempo em que Davi chegou ao reino. Depois que se tornou rei, Davi liderou seu exército, conquistou Jebus, a chamou de “a cidade de Davi”, um dos nomes de Jerusalém na Bíblia e fez dela a capital de Israel (2Sm 5.5-7; 1Cr 11.4-7).

"Porém escolhi Jerusa­lém para que ali estivesse o meu nome; e escolhi a Davi para chefe do meu povo de Israel... Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre" (2 Crônicas 6.6; 2 Samuel 7.16).

Apesar de ser considerada a terra do Maná pelas Escrituras, sob o ponto de vista econômico, tamanho, clima, localização estratégica e recursos naturais sempre foi considerada uma cidade comum, não possuindo nenhuma característica para recomendá-la. Seria impressionante se nações ao redor de Israel entrasse em conflitos com a mesma por uma causa econômica, já que essa terra não possui nenhum aspecto que possa despertar esse tipo de interesse. Israel não tem petróleo, ouro, carvão, diamantes e não tem grandes rios, quando comparados com o Nilo. O mesmo não se aplica no imaginário espiritual que Jerusalém representa nos homens. A razão para tantas guerras e disputas é por uma questão mais profunda. Israel é disputado por forças espirituais, por isso não encontramos respostas naturais para tal conflito, mas respostas espirituais. Deus escolheu Jerusalém para cumprir seu plano para humanidade, ela é considerada como um grande sinal de Deus ao mundo e de como será sua história.
Somente por meio da Bíblia, seja nos registros históricos ou nas afirmações proféticas, podemos encontrar respostas para entender as razões para Jerusalém despertar tanto interesse das nações. Estudando a historia e as profecias bíblicas ao seu respeito torna-se óbvio o que ela possui que causa uma atração espiritual irresistível em muitos povos e o que a diferencia de outras cidades do mundo.
São várias as passagens em que Jerusalém é mencionada nas Escrituras.

Mas escolhi Jerusalém para que ali seja estivesse o meu nome... Porque, agora,  escolhi e santifiquei esta casa [o Templo], para que o meu nome es­teja nela perpetuamente... Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi dentre  todas as tribos de Israel, porei eu o meu nome para sempre.
2 Crônicas 6.6; 7.16; 33.7

Grande é o Senhor e mui digno de louvor na cidade do nosso Deus... Formoso de sítio e alegria de toda a terra é o monte Sião sobre os lados do Norte, a cidade do grande Rei... Deus a confirmará  para sempre.
Salmo 48.1-2,8

O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor que escolheu Jeru­salém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?
 Zacarias 3.2

Pois o Senhor elegeu  a Sião; desejou-a para sua habitação
 Salmo 132.13

Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.
Salmo 137.5


Conversando com Deus, Salomão chamou Jerusalém de "a cidade que tu escolheste..." (1 Reis 8.44). As Escrituras a considera como “a Cidade de nosso Deus”, escolhida por Deus para cumprir o seu plano para a humanidade. Em Levítico 25.23 o Senhor declara “a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha..." Em 1 Reis 8.1,11 a Bíblia diz que em Jerusalém, a  glória do Senhor encherá a casa do Senhor, a Cidade de Deus, a Cidade de Davi, que é Sião (1 Reis 8.1,11).
Apesar das evidências da posição que essa cidade ocupa no cenário mundial atual, muitos rejeitam sua real importância. Alguns a desconsideram por não acreditarem na Bíblia e assim rejeitam o plano de Deus. Outros, ainda continuam com a idéia de que a Igreja substituiu os judeus como o povo de Deus. Porém se alguém aceita ou não o papel ocupado por Jerusalém no cenário mundial atual, permanece o fato de que a única explicação satisfatória para essa situação encontra-se nas profecias Bíblias. Se a resposta Bíblica para essa questão é rejeitada, então não é possível encontrar outra explicação racional.
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Nomes de Jerusalém

Quando Davi conquistou Jerusalém e fez dela sua capital, esta recebeu vários nomes como: Cidade de Davi (IRs2.10), “Sião” (2Sm.5.7); “Cidade Santa” (Ne.11.1); “a cidade de Deus” (Sl.46.4); “a cidade do grande Rei” (Sl.48.2); “cidade de justiça, cidade fiel” (Is.1.26); “a cidade do SENHOR, a Sião do Santo de Israel” (Is.60.14); “O SENHOR Esta Ali” (Ez.48.35) e “a cidade de verdade” (Zc.8.3). Salomão ao conversar com Deus chamou Jerusalém de “a cidade que tu escolhestes” (IRs8.44). Podem-se encontrar ainda os nomes: Cidade Eterna, Capital Eterna e Capital de Israel, esta última declarada pelo país apesar de não ser reconhecida como tal pelo resto do mundo.

Nova Jerusalém

Jerusalém também é considerada por Deus uma cidade de importância singular para os eventos dos últimos dias.
A bíblia diz que Jesus, o Messias, retornará a terra, porém dessa vez não como um Cordeiro a ser sacrificado, mas em glória e poder para estabelecer Seu Reino no trono de Davi, em Jerusalém. E aqueles que crerem em Jesus como o Salvador que morreu na cruz por nossos pecados, são perdoados por Deus e gratuitamente recebem a vida eterna.

Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade (Jerusalém celestial) pelas portas Ap 22.14.

Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome Ap 3.12.
O nome de Deus, o nome da Cidade, e o nome de Cristo; é o mesmo, e o nome é Jesus.
De acordo com a bíblia a verdadeira Jerusalém, é a Igreja que está edificada e estabelecida nos céus, a cidade do grande Rei.

 Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe Gl 4.26.

A promessa de Deus é que no fim irá surgir uma nova terra, a nova Jerusalém, habitada por um novo povo e que durará para sempre. Esse fim será glorioso, seus habitantes viverão em alegria e somente dessa forma a verdadeira paz será estabelecida.

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passa­ram, eo mar já não exixte... Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
 Apocalipse 21.1-4

 Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e a igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados Hb 12 22-23

A paz mundial que o mundo tanto procura só poderá ser estabelecida pelo “Deus da paz”. A Bíblia afirma que a paz deve estar em harmonia com a justiça "A justiça e a paz se beijaram" (Salmo 85.10). A chave para a paz mundial é a paz em Jerusalém. E essa paz não será estabelecida por acordos entre lideranças internacionais ou “tratados de paz”, como já foram feitos e sem resultados satisfatório. Todos os esforços pela paz até agora não tiveram as respostas esperada, mas de acordo com a Palavra de Deus sabemos que Deus tem um plano para judeus, árabes e toda a humanidade. A paz será estabelecida por Deus na Terra prometida.
E nós podemos ter a oportunidade de participar do plano de Deus em tranformar sua promessa em realidade. Quando entendemos o que a Bíblia diz sobre a real importância de Jerusalém e nos posicionamos e oramos para que a Paz seja estabelecida em Jerusalém.

"Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam" Sl 122.6.

Referências Bibliográficas

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Raízes que Permanecem por Igor Miguel



Estou acabando de ler o livro Surpreendido pela Esperança de N.T. Wright e fiquei muito feliz em encontrar insights teológicos que já vinha escrevendo e ensinando desde 2001, e claro, muita coisa nova que não tinha se quer lido. Mas de fato, fui surpreendido pela "Esperança" e isto tem mais sentido do que o leitor, que passa por aqui, pode imaginar.

Como alguns sabem, venho dedicando alguns anos de minha vida em um esforço para manter o equilíbrio apropriado nas relações entre a teologia cristã e a teologia judaica. Entretanto, o mais difícil é este equilíbrio, afinal, ou supervalorizamos a herança judaica, ofuscando a centralidade de Cristo e os valores do cristianismo, ou supervalorizamos a tradição cristã de forma dogmática e seu anti-judaísmo não tratado, sem permitir que esta fé cristã seja enriquecida com um contato apropriado com suas raízes.


Ao ler alguns autores do cristianismo que entendiam os vínculos entre judaísmo e cristianismo, percebi, que não são poucos os estudiosos do meio cristão engajados nesta compreensão e que no final das contas, admitiam que um bom cristianismo não pode ignorar estes fundamentos. De fato autores como Oskar Skarsaunne, Francis Schaeffer, N.T. Wright, Brad Young, James Parkes, W.D. Davies e muitos outros, me surpreenderam quanto a esta abordagem.
O que me preocupa é o tom ácido adotado por algumas pessoas envolvidas neste tipo de diálogo. O que excetua os autores citados acima. Pois ao não serem cuidadosas com sua pretensa agenda teológica, acabam atingindo o único movimento historicamente constituído que pregou, carregou, anunciou Jesus Cristo por quase dezoito séculos. Neste ponto, tenho que ser honesto: não foi o judaísmo que se encarregou desta tarefa. Entretanto, será que o cristianismo rejeitou tanto assim suas raízes judaicas como escutamos frequentemente no senso comum?
Ora, que rejeição "total" é esta? Afinal, vejamos alguns elementos evidentemente judaicos ainda presentes no cristianismo: 
Jesus Cristo: pode parecer óbvio, mas um obviedade omitida por muitos. Jesus Cristo é o que há de mais judaico no cristianismo. A afirmação de Jesus como salvador e Senhor tem origem nos profetas judeus, algo que os pais da Igreja e os reformadores, por mais "anti-judaicos" que fossem, jamais renegaram, Jesus é o cumprimento das palavras do profetas da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). Sem mencionar que Ele descende dos judeus segundo a carne (como afirma Paulo) e seus vínculos com este povo não é em vão. A propósito, se não houvesse nenhum vínculo genético entre Jesus e o povo judeu, isto tiraria todo crédito de seu papel messiânico.
Os Apóstolos: não há dúvidas, de que ao afirmar a fidelidade cristã à doutrina dos apóstolos, afirma-se com isso, uma fidelidade a apóstolos judeus, oriundos da terra de Israel, que foram convocados por Cristo propositalmente dentre os filhos de Israel, por questões óbvias, o que reserva maiores explicações.
A Bíblia: em especial o protestantismo, neste sentido, foi tão fiel a seus fundamentos judaicos, que adotou o cânon rabínico do Antigo Testamento, instituído no Conselho de Jamnia (Iavnnê), rejeitando o cânon grego (Septuaginta/LXX), que incluía os livros chamados "apócrifos". Neste sentido, a reforma teve profunda reverência ao que fora produzido pelo judaísmo. Não há nada mais judaico no cristianismo do que admitir um cânon de livros sagrados, compostos em sua quase totalidade por autores judeus (exceto Lucas). Apesar de que há um debate sobre as intensões judaicas (emJamnia/Yavne 90 d.C.) sobre este cânon.
Liturgia: Elemento litúrgico cristão importante é a homilia, a leitura e explicação pública das Escrituras, eis uma prática oriunda das sinagogas judaicas, de um momento chamado de kriát Torá (leitura da Torá), sem mencionar os cânticos e recitações de confissões, credos e perguntas catequéticas, que remetem a própria forma rabínica de estudo (perguntas-e-respostas).
Ceia (eucaristia): o cristianismo, em geral, reconhece ao menos dois sacramentos com raízes no judaísmo: a ceia e o batismo. A primeira nasceu do Sêder judaico de Páscoa (pêssach). Curiosamente, a utilização de vinho, por exemplo, não tem origem bíblica, mas foi inserida no judaísmo pelo famoso rabino Hilel, é irônico como mais tarde, a eucaristia cristã eternizou e universalizou uma prática da tradição oral judaica. Sobre os vínculos entre a ceia e a tradição judaica, vale a observação de N.T. Wright:

[...] quando Jesus celebrou a Páscoa, os discípulos não imaginavam que estavam fazendo algo diferente da celebração original. Durante a celebração da Páscoa, os judeus costumavam dizer: "Esta é a noite em que o Senhor nos tirou do Egito", o que torna as pessoas sentadas ao redor da mesa não apenas herdeiros distantes da geração do deserto, mas também parte do mesmo povo. Tempo e espaço se unem. No mundo dos sacramentos, passado e presente são uma só coisa. Juntos, eles apontam para a libertação, que acontecerá no futuro.[1]
Batismo: Herança de uma longa tradição de imersões rituais presentes na prática judaica de purificação. Basta uma olhada no testemunho arqueológico ao redor do Monte do Templo em Jerusalém e em lugares como a região de Qunram no Mar Morto, que se saberá os verdadeiros fundamentos desta prática. A tevilá (imersão em hebraico) era uma prática largamente utilizada inclusive nas cerimônias de conversão ao judaísmo. Sendo um rito de passagem e renúncia ao passado pagão. Prática que foi incorporada pelo cristianismo e resinificada, quando assumiu a forma de sacramento. 

Calendário: não parece, mas Igrejas Cristãs históricas ainda preservam um calendário litúrgico, com celebrações como páscoa e pentecostes. Celebrações de profunda relevância para a narrativa evangélica oriundas da cultura do povo judeu.
Poderia citar ainda muitos outros pontos e práticas cristãs que estão lá enraizadas na cultura judaica, mas, resignificadas e contextualizadas à novas circunstâncias culturais. Afinal, apesar do cristianismo originar-se entre os judeus, ainda assim, o cristianismo é uma outra coisa, não pode ser judaísmo, mas é judaico em seu fundamento.
A propósito, o termo "judaísmo" após o ano 90 d.C. (como já discutido em umpost por aqui), assume conotações complicadas para a fé cristã. Associar-se ao judaísmo após este período tornou-se insuportável. O judaísmo tinha assumido uma agenda explicitamente apologética a respeito de tudo que se referia a Jesus e a seus seguidores. O judaísmo assumiu uma agenda político-revolucionária contra o império romano, o que não podia ser amparado pela comunidade cristã, crescentemente menos judaica e mais gentílica. Sem contar que a fé proposta por Jesus, desde o início, não tinha pretensões revolucionárias em termos políticos, como claramente afirmado por ele. A inserção de orações litúrgicas que ofendiam a fé "nazarena" tornou a tensão Igreja-Sinagoga cada vez mais complicada, a ruptura seria inevitável e providencial, naquele momento histórico, como já demonstrei no post acima mencionado.

Lembro-lhes, que a proposta deste artigo é deixar claro, que admitir e dialogar estas duas tradições, não significa assim, que o cristianismo deva abrir mão de sua herança histórica, de sua identidade e tornar-se uma sinagoga. O que seria literalmente uma aberração cultural e traria sérias implicações teológicas como: tensões identitárias, sobrecarga cultural judaica em ambientes não judaicos, elementos litúrgicos de um judaísmo resistente a Jesus (judaísmo rabínico) e a temida judaização etc. Porém, o diálogo é importante e o conhecimento de uma visão de mundo judaica, enriquece hermeneuticamente a compreensão das Escrituras e da própria espiritualidade cristã.

Cito agora, um trecho traduzido do artigo do Dr. Daniel Juster, renomado líder e judeu-messiânico (judeu que crê em Jesus como Messias) americano a respeito das relações entre o cristianismo e suas raízes judaicas:
No entanto, muitas pessoas que acusam a Igreja de ser pagã, me deixam com "a pulga atrás da orelha". Eles precisam entender que uma tradição ou ritual deve ser entendido de acordo com o significado que lhe é dada pela comunidade de praticantes. Nem mais nem menos. O culto dominical, por exemplo, independentemente das razões como ele surgiu no I século, ele é hoje universalmente entendido como uma festa que comemora a ressurreição de Yeshua (Jesus) no primeiro dia da semana.Muitos gentios, que pensam que estão descobrindo as implicações das raízes judaicas e, ao mesmo tempo, criticam a Igreja, simplesmente não têm um conhecimento profundo do patrimônio da Igreja. Na verdade, às vezes, a questão de uma restauração apropriada das raízes judaicas deveria começar por levantar a consciência das raízes judaicas mantidas pela Igreja agora. Fonte: Rediscovering the Roots that Remain (Redescobrindo as Raízes que Permanecem): http://www.tikkunministries.org/newsletters/dj-nov09.asp 

Se desejamos aproximar estas duas tradições, ela deve ser feita sem fundamentalismo, com bom senso, com conhecimento apropriado do patrimônio da Igreja, levando-se em consideração o que a Igreja produziu em seus quase dois milênios de existência, tratando o anti-judaísmo que trouxe consequências já conhecidas (cruzadas, pogrons, holocausto etc) e claro explorando as raízes judaicas já preservadas pela Igreja.

Tenho críticas a uma "neutralidade" teológica, como se fosse possível acessar a Bíblia sem considerar a herança hermenêutica de gerações. Em breve escreverei um texto sobre a relação entre "tradição" e "revelação", infelizmente na atualidade, muito da crise cristã evangélica deve-se a isto: uma rejeição moderna a tudo que é tradicional.

Para terminar, cito a conclusão de Oskar Skarsaunne (teólogo luterano) em sua obra monumental "À Sombra do Templo", a respeito do tema aqui tratado:

A triste história do anti-semitismo cristão é bem conhecida e bem documentada. Contudo, houve em muitas ocasiões, e nos lugares mais inesperados, uma tendência implícita em sentido contrário. Não devemos, é preciso enfatizar mais uma vez, exagerar sua força; entretanto, não se pode também subestimá-la. Para os cristãos que, no início do século 21, sentem-se estimulados e fascinados com a redescoberta das raízes judaicas de sua fé e prática, é importante que saibam que não foram eles os primeiros. Houve precursores, e esperamos que haja sucessores.[2]

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[1] WRIGHT, N.T. Supreendido pela Esperança. Viçosa: Ed. Ultimato, 2009, p.288.
[2] SKARSAUNNE, Oscar. À Sombra do Templo: as influências do judaísmo no cristianismo primitivo. São Paulo: Ed. Vida, 2004, p. 460.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

23 e 24 de Outubro - Workshop - Restaurando os Princípios Bíblicos da Igreja - Comunidade Cristã Transformados - João Pinheiro - MG

Estaremos em João Pinheiro, na Comunidade Transformados a convite do Pr  Dener Rodrigues, nos dias 23 e 24 de outubro, aplicando o workshop com os temas abaixo:


Sábado dia 23/10 - História de Israel de Abraão até a atualidade
De 14 às 18 horas


Sábado dia 23/10 - As bodas do Cordeiro e a volta de Jesus
20 Horas


Domingo dia 24/10 - Quem Deus procura?
9 horas


Contato:
Dener Rodrigues
Pastor e Psicoterapeuta
Comunidade Cristã Transformados - JP
(38) 9951-9321
(38) 8811-6352

Curso de Hebraico - Alteração Data de Início

Em função do feriado de 7 de setembro, iniciaremos as aulas do Curso de Hebraico no dia 9 de setembro no horário de 15 horas. Inscrições abertas. Veja postagem anterior.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Geografia Bíblica - Nova Data - 18 de setembro

Estaremos ministrando novamente o curso de Geografia Bíblica no dia 18 de setembro. As inscrições estão abertas para você que não pode fazer o curso no mês de julho. Valor de Investimento: R$ 30,00.
Fone: 2512-8969 e 9214-3745

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Curso de Hebraico Bíblico - Início em Setembro - Inscrições Abertas!


Em 2 de setembro estaremos iniciando a etapa 2010 do Curso de hebraico Bíblico. As inscrições estão abertas. As aulas serão ministradas às terças e quintas feiras no horário de 15 horas com uma hora e meia de duração. Esta etapa do curso tem a duração de três meses. O curso tem o valor mensal de R$100,00. Mais informações pelo fone 2512-8969 e 9214-37465, por e-mail ou deixando seu comentário aqui no blog.

A coordenação

terça-feira, 10 de agosto de 2010

2º Semestre - Centro de Estudos Avançados Abba

Programação para o segundo semestre na sede:

As nossas aulas continuam às segundas e quartas feiras pela manhã, de 8 às 11 horas.

Neste semestre trabalharemos às segundas feiras:
- Geografia Bíblica - 9, 16, 23 e 30/08
- Atos e Cartas Paulinas - 6, 13, 20 e 27/09; 4, 11, 18 e 25/10
- Livro de Hebreus - 1, 8, 22 e 29/11
Às quartas feiras continuaremos estudando o Pentateuco ( Torah) em parashiot (porções) até 24/11.

Nossas aulas encerram-se em 29 de novembro, sendo que em 30 de novembro estaremos realizando a entrega dos certificados.
Inscrições podem ser realizadas por módulo ( matéria) pelo fone 2512-8969 ou por e-mail, ou ainda pelos comentários desta postagem.

A Coordenação